Por Trás da Doença: Vitiligo

Por: Diana Lopes

O Vitiligo é uma doença crónica caracterizada pela despigmentação da pele, localizada ou difusa. As manchas brancas, bem delimitadas e com tendência para a simetria, são causadas pela falta total ou parcial de células responsáveis pela produção de melanina, os melanócitos. Uma alteração funcional nestas células faz com que haja uma perda progressiva da capacidade de síntese da melanina. 

As causas desta alteração ainda não são bem conhecidas, sabendo-se apenas que num terço dos casos se observa uma incidência familiar e que a doença se encontra regularmente associada a doenças autoimunes nomeadamente da tiróide, artrite reumatóide e diabetes. 

Para celebrar o Dia Mundial do Vitiligo, trazemos-te o testemunho do Tomás Ramalho, a quem agradecemos a coragem de fazer esta partilha connosco.

 

Testemunho: Tomás Ramalho

Olá, o meu nome é Tomás Ramalho, tenho 20 anos e desde a adolescência que vivo com Vitiligo.

Tudo começou quando tinha 13 anos e reparei que tinha umas manchas brancas ao redor dos meus lábios. Decidi ir a um dermatologista para saber o que era. Para minha surpresa, acabou por ser algo mais complicado do que esperava.

Após a consulta, foi-me difícil processar que tinha uma doença autoimune porque fui avisado de que a propensão da doença é espalhar-se para todo o corpo e que não existia nenhuma medicação que tratasse a doença por completo, apenas algumas pomadas que atenuavam o seu progresso. 

Felizmente, a pomada que me foi receitada teve efeito nas manchas à volta dos lábios, não as deixando alastrar. Algum tempo depois, começaram a aparecer na palma das mãos e dos pés, na ponta dos dedos e nos joelhos, obrigando-me a ter mais cuidado com a exposição solar, pois as zonas com manchas estão muito mais vulneráveis à radiação proveniente do sol, podendo levar ao aparecimento de outras doenças como o cancro da pele.

A nível psicológico, após o choque inicial, penso que não foi muito complicado ver-me com esta doença porque, felizmente, não evoluiu em grande escala, o que me levou a pensar nisto como algo característico em vez de algo que me fizesse sentir excluído.

Para concluir, espero que o meu testemunho tenha sido elucidativo e que, no futuro, apareçam novos tratamentos que tentem não só impedir o alastramento da doença, como também curá-la.

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